Empregabilidade: ensino superior aumenta chance de colocação no mercado de trabalho

  • Sua Jornada

Pesquisas apontam que, além da empregabilidade mais elevada, o diploma de graduação também colabora para o aumento da remuneração dos trabalhadores

Fazer uma faculdade traz inúmeras vantagens ao indivíduo. Desde a expansão do círculo social, ampliação do networking até a maior facilidade de conseguir um emprego – e permanecer nele.

O mercado de trabalho tem sido cada vez mais exigente, e o diploma do ensino superior se tornou há muito tempo premissa básica para a conquista do emprego.

Além disso, quando um jovem resolve investir em formação e faz a matrícula na faculdade, ele colabora também para elevar a taxa de escolaridade do país e combater a desigualdade educacional do Brasil.

Os dados mostram que ainda há um longo caminho a percorrer. Atualmente, a taxa de escolarização líquida do país, que mede a concentração de adultos de 18 a 24 anos matriculados no ensino superior, é de 17,9%. Muito aquém do que o Plano Nacional de Educação (PNE) estabeleceu como meta para 2024: ter 33% dessa população matriculada no ensino superior.

Aumenta população ocupada mais escolarizada

Pesquisas apontam como a escolarização afeta diretamente a empregabilidade. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a população ocupada mais escolarizada – com nível superior – continua aumentando, enquanto todas as demais faixas de escolaridade sofreram perdas significativas nos últimos anos. 

De 2012 a 2018, a força de trabalho composta por trabalhadores sem nenhuma instrução recuou 47%, enquanto o número de trabalhadores com ensino superior completo avançou 48,2%, passando de 13,1 para 19,4 milhões, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), coletada e divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ainda, de acordo com o Instituto, a população empregada no nível superior é a única parcela de trabalhadores que apresenta taxas de expansão. No fim de 2018, o índice de trabalhadores com nível superior cresceu 6%.

Os dados ainda revelaram que o grupo mais escolarizado era o que estava no patamar mais baixo nas taxas de desocupação.

Metodologias ativas no ensino superior ampliam taxa de empregabilidade

Para conseguir uma boa colocação no mercado de trabalho, não basta mais ter apenas os conhecimentos técnicos adquiridos em sala de aula. As instituições de ensino superior, percebendo isso, cada vez mais têm incorporado as chamadas metodologias ativas na educação.

A metodologia ativa propõe colocar o aluno no centro da aprendizagem, tornando-o protagonista de sua educação. Isso é feito a partir de diversos métodos, tendo a tecnologia como aliada.

Um exemplo muito utilizado são as aulas invertidas, em que o professor indica conteúdos para serem experimentados antes do horário de aula, geralmente a partir de ferramentas online como vídeo-aulas pré-gravadas, podcasts ou até artigos e reportagens.

“A ideia é apresentar o contexto e a teoria antes da aula, e durante o momento presencial propomos uma problemática sobre o conceito. O aluno então deve debater, em duplas ou grupos, para fazer uma crítica e propor soluções ao desafio, que deverão ser aplicáveis no mundo real”, explica Sérgio Itamar, professor no UNICURITIBA e mestre em Direito e Administração.

Segundo Itamar, ao colocar os alunos no papel de protagonistas da própria aprendizagem, o professor treina seus estudantes para situações que eles enfrentarão após formados. “Isso, por si só, o torna extremamente mais capacitado para ingressar no mercado de trabalho, já que terá um pensamento crítico e raciocínio lógico muito mais desenvolvido”, resume.

Parcerias Universidade X Empresas

Embora as metodologias ativas auxiliem na empregabilidade ao final do curso, ainda é preciso que as instituições de ensino e o mercado estreitem o relacionamento. Um bom formato, acredita Itamar, seria aquele em que a instituição de ensino superior abordaria os líderes de um segmento da indústria e os questionaria sobre quais são os maiores desafios que sua área de atuação deve enfrentar no mercado durante os próximos dez anos.

Esses desafios seriam, então, repassados para grupos de pesquisa multidisciplinares dentro das faculdades. Os alunos teriam a missão de usar todos os conceitos aprendidos da graduação para propor as soluções ao mercado. O resultado seria apresentado para as empresas parceiras em formatos diversos, como um pitch, por exemplo.

“Imagine a indústria automotiva, que encara como desafio o fato de os jovens de hoje não sentirem a mesma necessidade de ter um carro que a geração passada sentia, o que resulta em uma redução da demanda. Desafios como esse são bons pontos de partida para os futuros profissionais”, explica o educador.

Mas como isso ajuda na empregabilidade dos estudantes? O professor do UNICURITIBA explica que, além de treiná-los para o que enfrentarão na vida profissional, tais grupos de pesquisa funcionariam como um primeiro momento de networking com empresas renomadas do mercado.

Emprego antes mesmo da conclusão do curso

Os efeitos do diploma do ensino superior no mercado de trabalho podem ser vistos muitas vezes até antes da conclusão do curso. Quase metade (49,6%) dos egressos de instituições de ensino particulares afirmaram que conquistaram seu primeiro emprego antes de concluírem a graduação, de acordo com pesquisa do Instituto Semesp.

Os números mostram a tendência no ensino superior de as universidades estarem muito mais conectadas ao mundo do trabalho, segundo Denise Campos, vice-presidente acadêmica da Ânima Educação.

“Vão se sair muito bem as instituições que deixarem seus currículos serem mais influenciados pelo mundo do trabalho. As universidades precisam ter foco em formar pessoas que consigam compreender e se inserir na cultura das empresas.”

Nas instituições da Ânima Educação os alunos têm a oportunidade de criar essa conexão por meio das parcerias que as instituições de ensino estabelecem com empresas parceiras. “O aluno é avaliado nos dois ambientes, no acadêmico e no mais prático, do trabalho. Essa união colabora demais para o crescimento e formação do aluno. ”

Denise salienta que essa inter-relação entre os dois mundos deve ocorrer de forma a amadurecer o formato como se dá os convênios atuais de estágio. “Muitas vezes, o estágio não confere um ambiente de aprendizado, não está relacionado à área de formação do aluno. O que proporcionamos é uma forma de o estudante aprender aplicando.”

Diploma também proporciona salários maiores

Além de facilitar a inserção no mercado de trabalho, o diploma de ensino superior contribui para o aumento da remuneração do indivíduo.

Ainda de acordo com pesquisa do Instituto Semesp, instituição que reúne um grupo de empresas mantenedoras do ensino superior, antes da conclusão do curso, apenas 5,8% dos alunos ganhavam mais de cinco mil reais e, após o término da graduação, o percentual de egressos com essa renda saltou para 41,4%.

O retorno salarial para a população que possui ensino superior completo no Brasil é maior do que em todos os 36 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e 10 países parceiros da organização.

De acordo com o Education at a glance 2018, uma publicação da OCDE, uma pessoa com o diploma de graduação no Brasil ganhava, 2,5 vezes mais do que alguém com diploma de ensino médio. A média na OCDE era de 1,6 vezes mais.

Conteúdo original Una