UniCuritiba pesquisa efeitos psicológicos e nutricionais do isolamento social entre brasileiros e portugueses

  • Vída Acadêmica

Projeto quer investigar possíveis alterações nos hábitos alimentares e na saúde mental da população que enfrentou – e ainda enfrenta – a quarentena por conta da Covid-19

Como o isolamento social necessário para conter o avanço do coronavírus te afetou ou ainda te afeta do ponto de vista psicológico e nutricional? Você mudou sua alimentação? Ganhou ou perdeu peso? Desenvolveu sintomas de depressão ou ansiedade?

Uma pesquisa desenvolvida por alunos de graduação dos cursos de Psicologia e Nutrição do UniCuritiba e de outras instituições da Ânima Educação, em parceria com pesquisadores da Universidade do Porto, em Portugal, quer responder perguntas como estas e mensurar o impacto dessa medida na vida de brasileiros e portugueses.

Para isso, os pesquisadores disponibilizaram um formulário de perguntas (pode ser encontrado aqui) que deve ser respondido de maneira voluntária e anônima por pessoas que cumpriram ou ainda cumprem o isolamento social proveniente da Covid-19.

Os participantes que respondem ao questionário recebem um e-book com informações sobre ansiedade, depressão, transtornos alimentares e alimentação saudável, incentivando a importância da saúde mental e nutricional para melhora da qualidade de vida na quarentena.

De acordo com o professor Thiago Bagatin, responsável pelo trabalho, o formulário já foi respondido por 450 brasileiros e estará disponível também aos portugueses, assim que for aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade do Porto. O trabalho já teve o parecer positivo do Comitê de Ética da Universidade São Judas. O protocolo entre as instituições dos dois países é necessário porque a pesquisa envolve seres humanos.

“Queremos entender os impactos no Brasil e em Portugal, e fazer um comparativo levando em conta as políticas governamentais e o cenário em cada país. Nos primeiros resultados prévios, já notamos que o isolamento social teve um impacto significativo na vida dos brasileiros, muita gente com dificuldade de lidar com a nova rotina em casa, com grande mudança de hábitos, inclusive alimentares”, explica Bagatin.

Eficácia do isolamento não está em discussão

O projeto de investigação quer identificar possíveis alterações nos hábitos e padrões alimentares durante a quarentena, na rotina de prática de atividades físicas, além de relacionar eventuais alterações de alimentação e estado nutricional com variáveis de saúde mental. A pesquisa também vai tabular dados sobre questões ligadas à situação socioeconômica dos entrevistados, com informações sobre queda no orçamento e uso de auxílio financeiro do governo.

Outro dado a ser produzido é a análise e evolução dos níveis de depressão e ansiedade ao longo de um ano em que os participantes vivenciaram o distanciamento social por conta da Covid-19.

Para conseguir traduzir os dados, os alunos vão participar de quatro encontros sobre análise estatística que vão habilitá-los a trabalhar com as informações disponibilizadas nos formulários on-line.

Thiago Bagatin, que leciona para o curso de Psicologia, reforça que o objetivo da pesquisa não é questionar o isolamento social, em si, tendo em vista que sua eficácia na estratégia do enfrentamento à pandemia foi comprovada. “Se trata de compreender quais são esses impactos, até para ajudar a pensar políticas públicas que possam ajudar a preveni-los no futuro.”